Categoria: Poesia

Pregando no deserto…

Garoeiro – Natal, RN, 6 de fevereiro de 2015.

Em tudo o que está se dando,

Armas tu, tuas versões,

Que só se vive, tentando…


Contra alheias opressões,

Tua vida vão gerando

Tuas íntimas razões.


Pois o mundo, elucubrando,

As interiorizações,

Só explica, deturpando.


Que as humanas emoções,

Exsurgem-se fabricando

Nas exteriorizações.


Ao que, agora, está pulsando,

Em ti, tais admissões,

Estão pouco se lixando.


Iludem explicações,

Se o que está te dominando,

Põe novas dominações.


Essencialmente falando,

Teu reino de sensações

Tem seu painel de comando:


Do cérebro, as regiões,

Senso próprio, operando,

Todas suas extensões.

No banco da praça…

Garoeiro – Natal, RN, 5 de fevereiro de 2015.

Apraz tanto ao Garoeiro,

Na cidade que o seduz,

Este gozo costumeiro

Na praça cheia de luz,

Sol e sombra no roteiro.

Brotam antigas Baurus

No poemário canteiro,

Cada sonho que o conduz,

Esplende-se no coqueiro,

Fosse invisível capuz

Sobre o passado fagueiro,

Sem falar no que induz

Este lindo cajueiro

Com seus vermelhos cajus!

Vídeo nº 88 – Cajueiro na praça

Métodos…

Garoeiro – Natal, RN, 04 de fevereiro de 2015.

Caço o tema com afinco,

Minha alma concentrada,

E o poema move o trinco,

Eu, movendo a caçada,

Nos repertórios que linco,

Para a caça versejada,

Como se, quando assim brinco,

Poesia fosse, mais nada…


Tantas vezes, todavia,

Ela é toda envolvimento,

Situa o que sucedia,

Sagrando o acontecimento

Na real ordem do dia,

E esse eterno de momento

É que, agora, parecia

O bom encaminhamento…


Mas, oceano é meu peito,

De líquida profundeza;

Emerge, às vezes, já feito,

Bem vivo, o verso na mesa,

Fosse um peixe sem preceito,

Ser da Língua Portuguesa,

E esta pesca, o único jeito

De me afogar na Beleza!

Dois de fevereiro garoeiro

Garoeiro – Natal, RN, 02 de fevereiro de 2015.

Mirinha-Balada-do-Rei-das-Sereias-de-Manuel-Bandeira

Tudo o que amar me proíbe,

Não fere mais do que está.

Desamor, não se coíbe,

Mas, do bem que o mar me dá,

Busco, na paz que ele exibe,

Lavar a influência má.


Tal força, que erro inibe,

Toda a dor curar-me-á,

Inda em espuma se estribe,

Pois ao coração virá,

Adoçando a diatribe,

Minha  mãe,  Iemanjá!

Cinco mãezinhas…

Garoeiro – Natal, RN, 1º de fevereiro de 2015.

Ter o colo que descansa,

Cada seio uma tetinha,

Ser dedicada à criança,

Na fralda sempre limpinha,

E na interlocução mansa,

São cuidados de mãezinha.


A primeira foi-me a Arte,

Sua santa paciência,

E cujo leite comparte

Com a segunda, a Ciência,

Matriz que, amor à parte,

Nada supera a potência.


A História foi a terceira,

De extrema dedicação

E empenhada maneira;

Desse trio, a sedução,

Se me salva da cegueira,

Me acende a Revolução.


Quarta mãe é a Militância,

Sob o chinelo e a cinta,

Onde se perde a infância,

Se Filosofia, a quinta,

Sua áurea substância,

De nossa causa dissinta.


Do materno dom se vive,

Como da rega a semente;

Nas cinco mães que eu tive

Teve o que sou a nascente,

E é sua marca que revive

Quem meus versos lê e sente…

Via crucis

Garoeiro – Natal, RN, 31 de janeiro de 2015.

Das coisas da vida, amadas,

Nem a atração delicada,

Nem mais, tampouco, esperadas.


Ela sente, abreviadas,

Antes da hora chegada,

Todas as outras, passadas.


De suas preces rogadas,

É síntese acabada,

Ir com Jesus de mãos dadas.


Nas graças do além, rezadas,

Do mundo já não quer nada,

Bota as pálpebras cerradas…

Iniciação potyguar

Natal, RN,  30 de janeiro de 2015.

Por primeiro,  as  condições,

Que o real é meu batismo:

Não faltaram empurrões,

Mas, eu não caí no abismo…


Tenho, aqui, predileções,

Que descubro, lembro, cismo:

São gratas satisfações,

Ao meu modesto otimismo.


Glória, felicitações,

Tão bom existencialismo

Nutre com compensações

Gostosas, do Romantismo…


Já não busco explicações

Nem sigo qualquer modismo:

Vivo de imaginações,

Num saudável saudosismo…

Vagalume

Garoeiro – Natal, RN, 29 de janeiro de 2015.

Li que amor algum espinha,

Visto que é flor e perfume

O que só amar resume,

E o espinho,  avizinha…


Ou, que o bem que guarda o cume,

Sua beleza certinha,

Vale o erro que se aninha

No que a vida desarrume…


Que todo valor definha,

Aquém, e além do tapume,

Mas, nunca se o amor assume

Sua mágica varinha…


Eu,  porém,  sinto  ciúme

De quem segue essa linha:

Que o amor foi, da vida minha,

Na  escuridão,  vagalume…

Viajante

Garoeiro – Natal, RN, 28 de janeiro de 2015.

Tanto volto ao meu passado,

A viver sonhos, desperto,

Que é esse tempo viajado

Meu oásis no deserto.


Que bom sempre haver tentado

Só amar de peito aberto:

Quando amor é começado,

O Paraíso é bem perto…


Por amar e ser amado,

Na memória, me liberto:

Se nem tudo deu errado,

Um belo dia, dá certo…