Categoria: Poesia

Vídeo nº 112 – Nochebuena

Vídeo nº 111 – Natal na província

O meu Cristo de Suzdal…

08. hino-de-reis-by-marcus-biancardini

Garoeiro – Natal, RN, 23 de dezembro de 2015.

[Respondeu, Jesus: “Para cada rico, quantos pobres deve haver?!” ]


Em Suzdal, ouvi contar,

Vir em pergaminho arcaico,

Da lavra dum penitente,

O que o Cristo quis deixar,

Anotado em aramaico,

Para crente e descrente.


“ Do mundo, a ordem pregada,

Que a Humanidade arruína,

É o império da ganância

De uns poucos, na jornada

Que a Riqueza determina,

Por injusta circunstância. “


“ Toda a Minha pregação,

Metaforicamente, quis,

Esclarecida na luz,

Esta única Lição,

Que, amanhã, ao que se diz,

Deverei pagar, na cruz. “


“ Nego, do que disse, nada,

Que o Bem tem do Mal, clareza:

Haver rico, é a coisa errada,

Que acabará, com certeza,

Se a Pobreza, organizada,

Eliminar a Riqueza! “

Vídeo nº 110 – Dom Juan Riera

PC…

Garoeiro – Natal, 21 de dezembro de 2015.

07. marcha-de-natal-by-marcelo-ribeiro

O poder do aparelho é enganoso,

Que, presa a causa, tanto, à vida orgânica,

No gueto, nunca será panorâmica,

Nem o seu apelo ao povo, animoso.


Auto louva, que é mal contagioso,

Seja pela formulação mecânica,

Seja pela organização cerâmica,

Só piora o anseio revoltoso.


Pois, se cada vez mais de nós gostamos,

E, entre os melhores, sempre, nos achamos,

Na História, é falso, tal contentamento.


Ver inimigo só bem sucedido,

Conclama ao sucesso do partido:

Faltam milhões, no encaminhamento…

Genealogia

Garoeiro – Natal, RN, 20 de dezembro de 2105.

Eu, mesmo amando as gerações passadas,

Nada sei, de meus avós, seus pais;

Dos avós de meus pais, não há pegadas,

Nomes, nem dados substanciais.


Em brevidade é que são geradas,

Sempre, nossas raízes ancestrais,

E, efêmeras, se veem apagadas,

Sem dó, em nossas vidas atuais.


Mais gosto que fruir, enquanto vigem,

Dão-me, as coisas, por descobrir a origem,

Qual fôra a causa que lhes deu esteio.


Mas, sei, porém, que a futura linhagem,

Só haverá de arguir a minha imagem,

Quem era esse infeliz, ou a que veio?

Despudor

Garoeiro – Natal, RN, 19 de dezembro de 2015.

[ “O sentimento que divide, inimiza, retalia. ” – Ruy Barbosa ]

Aos perigos da cidade,

Preceitos, são-me aviados:

Em tão rica impunidade,

Pobres, são seviciados,

Somos, na terceira idade,

Bons alvos, já sitiados,

Que a atual moralidade,

Com seus céus anuviados,

Paga em permissividade,

Só valores desfiados.


Conflitos, na atualidade,

Quem os vê aliviados?

Entretanto, a novidade,

Dos golpes retaliados

Entre mim, e a sociedade,

Foram gestos enviados,

- Praia, manhã, liberdade! –

Tal, assédios debochados,

Feitos com perversidade,

Pelos três jovens viados…

Thomas

Garoeiro – Natal, RN, 18 dezembro de 2015.

Gozarás,  Thomas,  nascendo,

As promessas do futuro,

E o mal que estamos sofrendo,

Hás de vê-lo, prematuro.


O que está acontecendo,

Será teu passado impuro,

Que depurarás, regendo

Nova luz de nosso escuro.


Pois, já estou, Thomas, te vendo,

Meu bem-vindo nascituro,

Na luta que estamos tendo

Por rachaduras no muro…

Moral da história…

Garoeiro – Natal, RN, 17 de dezembro de 2015.

Por crer num amor sem fim,

Absoluto, inconteste,

De mim, dei-te a essência suma!


Sob esquiva fé, ruim,

Bem mais nociva que a peste,

Tu a sopraste na espuma.


Foste, e és, tudo para mim!

Mas, do pouco que me deste,

Não faço questão nenhuma…

Omelete

Garoeiro – Natal, RN, 16 de dezembro de 2015.

Teve, o mágico valor da receita,

Perante forças em duplicidade,

Cortada, em duas meias, a verdade,

A salvo, pois, de Esquerda e de Direita.


E, obtém, praticando o que rejeita,

Ora, negando a contrariedade,

Culpando, ora, a fatalidade,

Nos campos do Poder, farta colheita.


Com o processo todo estremecendo,

Tal erro, com acerto, parecendo,

Quis-se novo, o Brasil, aos outros povos.


Estratégia, porém, meia-tigela,

Ao tentar, seu fracasso já revela,

Ter omelete, sem quebrar os ovos…