Categoria: Poesia

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Orlando Furioso I

Agosto

Garoeiro – Natal, 1º de agosto de 2014.

Ó abafada lira que incendeia,

Ocupa, já, o teu épico posto

E faz que ouça a multidão alheia

O coro além de tanto mal exposto!

Dentro desta modernidade feia,

Na perversão vendida do mau gosto,

Da voz do grande Ludovico, eia,

Seu canto possa o povo ouvir reposto!


Se bons presságios não nos traz agosto,

De Orlando, a louca ilusão na veia,

Com gosto singra seu mar de desgosto,

Mas, navegar sem porto algum, receia.

Amor tão só buscando em cada rosto,

Que força humana novamente creia,

No esperançoso barco de Ariosto,

Inteira a vida que virá, não meia!

Num baixel…

Garoeiro – Natal, RN, 31 de julho de 2014.

Julho se vai, felizmente,

Vago mês meio de ano,

E, já, do meu desengano

Vai esta dor, igualmente…


Curtir mágoa é um engano,

Nenhum amor é presente:

Na perda que se ressente,

Era tudo apenas plano…


Quero arejar minha mente,

Além do mal juliano,

Olhar muito o oceano,

Sorrir e ficar contente…

Mal de Julho…

Garoeiro – Natal, RN, 30 de julho de 2014.

Depois que a gente assopra tanta vela,

O andar da carruagem é mais lento;

Tratar do mal se torna uma querela,

Que, quieto, o peito evita seguimento…

O mês de julho, inda assim, revela,

Para justiça no seu tratamento,

Seja-me um gosto amargo posto em tela,

Porque por quase tudo é esse tormento:

Sofrendo o mal e o bem, saudoso dela,

Por datas de alegria e sofrimento,

Minh’alma fica fria que se pela;

No chão, no mar, no ar, esfriamento,

Até o verde das folhas, amarela,

E aquela santa brisa, vira vento…

Século XXX

Garoeiro – Natal, RN, 22 de junho de 2014.

Aplauso eu jamais quis ou ovação,

Sem me calar, tampouco, em minha baia,

E, apenas na contestação recaia

Do que sempre cantei, segregação.


No mundo só merece aprovação

O que é, e o que será da mesma laia;

Inda que tome, agora, imensa vaia,

Tudo salvo nos dias que virão.


A máquina da glória encomendada

Mais cobra pelo vão que enaltece,

Bancando o literário de fachada.


Mas, quer a lira que meu verso tece

Resista então, embora assim vaiada,

Plantando grão que só em futuro cresce…