Categoria: Poesia

Coração garoeiro…

Garoeiro – Natal, RN, 19 de março de 2014.

Viver encurralado em teu dilema

Seria orgulho ter que não reaja,

Tratar, jamais, da essência do problema,

Donde vem todo o mal que nos ultraja.


Quiseste a nós impor aquele esquema,

Que nem gozo flui, nem sonho viaja,

E o trato da virtude é o estratagema

Que só na outra vida o bem engaja.


Mataste o Grande Amor para que haja

Ar de verdade em mentiroso tema,

Mas nada que o meu coração coaja,

Tanto que inda te ama num poema…

Ho Bevuto

Garoeiro – Bauru, 19 de fevereiro de 2011.

Do bem é a memória a salvação,

Pois debalde buscar no que acontece,

Por mais que ouse a recuperação,

A escapatória do que se padece.


Se de engano, desgosto, perdição,

Foi o futuro que nos amanhece,

Quer-se a lembrança na satisfação

Que a infantil linha unicamente tece.


Duras, acabadas, tristes e prontas,

Estas brumas reais do que é vivido

Fossilizam o aflorar risonho.


Tanto que tudo é reencontrar as pontas

Daquele tempo,  hoje  desconhecido,

Quando era só,  existir,  viver  o  sonho…

Balanço…

Garoeiro – Bauru, 3 de outubro de 2011.

Quem bem alheio ama sem querer

Melhor o que se é dentro da mente,

Se sói vermos quem só de si viver

Perder a vida inapelavelmente?


Por isso, aberto amei, sem escolher,

Vendo sempre crescer-me interiormente

Riquezas derrotantes do prazer

Que tive e dei, incondicionalmente…


Porém, se sem amor hoje descanso,

Não é de desamor o meu balanço,

Tendo as buscadas faces do Encontro


Presentes na memória, como vivas,

Feliz,  neste  assumido  desencontro,

Gozando as memoráveis tentativas…

Epitáfio

Garoeiro – Bauru, 20 de setembro de 2011.

Insatisfeito em existir, só estar no mundo,

Quis crer que em verdade viver a vida plena,

Pelo prazer fôra optar, raso ou profundo,

Para a Paixão poder gozar, grande ou pequena.


Desejos a sentir, segundo por segundo,

Na palpitação feliz da criação terrena,

De amar, quase cheguei da saciedade ao fundo,

Tal a provar que é só o Amor que vale a pena…


Ou seja, ser, hoje, a memória dos assanhos,

Constatação de eu realizar nunca meus sonhos,

Dá, sobretudo, à existência consumida,


Só o sentido que eu mesmo dei à minha vida,

Sem nada haver pedido à lei do acaso louco,

Nem para nascer,  nem para morrer,  tampouco…

Nosso adeus…

Garoeiro – Natal, RN, 16 de março de 2014.

Amar,  e  de  amor  coberto,

De tudo, é o que mais venero,

Mas amando o que é incerto,

Tão logo me desespero.


Com meu coração aberto,

Sinceramente, eu espero,

Repliquei-lhe, bem de perto:

- Todo amor tem de ser vero!


-  Quero  assim  porque  é  o  certo,

Porque do teu modo,  não  quero;

Como pode o que é esperto,

Querer também ser sincero?

Tumbérgia

Garoeiro – Natal, RN, 8 de abril de 2014.

[Para: Breno, que hoje faz aniversário...]

Ó,  tumbérgia  arbustiva,

Eu te louvo a persistência

Nesta louca inflorescência

Diariamente tão ativa!


Ao brotar impaciência,

Tua tara expansiva

Na galhada verde-oliva,

Dás à florada, frequência!


Tua efêmera comitiva,

Em doce delicadência,

Suavíssima dolência,

Minhalma de lilás, criva…


Pois,  tumbérgia,  em  essência,

Queres vida que reviva,

E a Beleza,  efusiva,

Mesmo em diária falência…

Numa cerimônia de casamento…

Garoeiro – Natal, 13 de março de 2014.

Sorrir,  calar  a  dor  publicamente,

Todo o costume burguês recomenda,

Como me vês, aqui, nesta fazenda,

Te vendo, amor, casando, finalmente…


Tanto,  tudo,  num  casamento,  mente,

Pois é falso o futuro da oferenda;

A paixão, porém, que a tudo remenda,

Nos faz jurar amor eternamente…


Ao prometer-te amor sincero cessa

Esta expectativa de remendo

Por entre o que acaba e o que começa:


Teu grande amor,  bem sei,  está nascendo,

No agrado despojado da promessa,

E eu, que te amo, de te invejar, morrendo…

Resgate…

Garoeiro – Natal, RN, 12 de março de 2014.

Dizes que eu fui a causa do desgosto

E que eu não saber te amar foi o ponto;

Porém, dei para tudo teu, desconto,

Quando em muito de mim, vivi o oposto.


Ironizas que é vão discutir gosto,

E que eu te amasse como és, e pronto;

Mas quem podia evitar o confronto,

Se só indiferença via em teu rosto?


Que, então, sofrimento por sofrimento,

Tínhamos, mesmo, que nos separar,

Por conta do meu gênio violento…


Foi, todavia, o teu jeito de amar,

Ausente, alheia, com distanciamento,

A paz que fez nosso amor acabar…

Feliz aniversário, amada…

Garoeiro – Natal, 6 de abril de 2014.

Se aquele amor eu começo,

Lembrar o seu esplendor,

Coisas tão maravilhosas,

Mais outra dose então peço,

Remasse o navegador,

Hoje seco mar de rosas…


Era um amor tão florido,

Perfumado em cama e mesa,

Subindo pelas paredes,

Que todo desconhecido,

Sentindo aquela beleza,

Balançava em suas redes…


Logo em novo casamento,

Loucamente apaixonados,

Juntamos nossos idílios,

Gozando a todo momento,

Além de estarmos casados,

O coamor de dois filhos…


A flor de satisfação,

Cobrindo aquele canteiro,

Foi seduzindo a irmã,

Vivendo uma relação

Carente de companheiro

De tarde, noite e manhã…


Numa pretensão gigante,

O insano amor, não me iludo,

Mesmo tão grande, cresceu,

Que, embora amando bastante,

Muito trabalho e estudo,

Também a mãe acolheu…


Hoje,  sozinho  na  praia,

De minha melhor amada,

Comemoro o aniversário…

Tudo eu tive com Soraya,

Sem  ela,  fiquei  sem nada,

Bebendo,  aqui,  solitário…

War

Garoeiro – Bauru, 8 de janeiro de 2012.

A guerra livrei dos perigos

Eliminando os respeitos

Em honra dos perseguidos.


Na minha guerra, direitos,

Inexistem aos amigos

Dos eixos insatisfeitos.


Os meus fronts têm abrigos

Virtuais onde os malfeitos

Desaparecem perdidos.


Com disparos rarefeitos,

Meus alvos indefinidos

Sempre morrem insuspeitos.


E me morrem parecidos

Àqueles que de meus leitos

Joguei games divertidos.


No gosto de ver aceitos

Por todos quaisquer castigos,

Livro o Mal de seus defeitos.


Massacres envelhecidos

Encontravam seus proveitos

Alvejando só ungidos.


Livre desses preconceitos,

Atiro, que indistinguidos,

Vão jazer iguais nos eitos.


Vencedores sem vencidos,

Em especiais efeitos,

Lembram jogos conhecidos.


Minhas armas são conceitos

Que entre povos repartidos

Hão de vingar os perfeitos.


Extermino os escolhidos

A meu juízo eleitos

Para serem inimigos.


Que aos crimes de meus jeitos

Os jornalistas amigos

Vos  fazem  pensar:  “Bons  feitos !”