Categoria: Poesia

Depois, é fácil…

Garoeiro – Natal, RN, 13 de abril de 2014.

Ó,  minha  ex-mulher,  aqui  lembrada,

Quebrando o seu pacto de silêncio,

Tão cheia da razão mais apurada,

Nesta mensagem que é quase um comício…


Respeito a nova versão,  revisada,

Porque velho prefere armistício;

No entanto, ante a virtude demonstrada,

Só quer meu coração o nosso vício!


Ardendo naquela loucura suma,

Do amor que em viagem me fizeste,

Sorvendo o meu tesão, tal uma espuma,


No amor daquela tara inconteste,

Gozando o que jamais me deu alguma,

Ah, sim, Paixão, foste tu quem me deste!

Vídeo nº 47 – Mural original

Cinco Divindades…

Garoeiro – Natal, RN, 8 de abril de 2014.

Bobagem acreditar que com reza

Alguém vai conseguir encontrar Deus,

Porque simplesmente o Deus que se preza

Vive de estar se dando sempre aos seus…


O Sol, o Céu, o Mar, a Terra, a Brisa,

É que somam a doação mais íntegra

Ao que vive,  sob a oração precisa,

Neste altar da Praia de Ponta Negra…


Sei,  inda  do  Santuário,  aprendiz,

De tudo, é o Sol o Deus abençoado,

Pois faz todo mundo sorrir, feliz,

Sempre alma limpa e corpo bronzeado…


O Céu e o Mar são duas divindades

Se dando em satisfação tamanha,

Que nem a mais triste das realidades

Evita ou seu quente prazer, estranha…


Porém, fechando esta divina quina,

Uma Santa Brisa, uma Suma Terra,

Consagram, como dupla feminina,

A religião que Ponta Negra encerra…


Se Praia de Ponta Negra gozar,

Aqueles outros deuses são lixos,

Pois todo mundo, aqui neste lugar,

Aos cinco deuses reza, até os bichos…

No mar…

Garoeiro – Natal, RN, 9 de abril de 2014.

Domingo,  fico  borracho…

Sinto falta do seu bacio…

Até ando meio pazzo

Depois que perdi seu regaço,

Caçando algum estilhaço

Do nosso amor, pelo espaço…

Sobrevivi do naufrágio,

Mas, sem lhe ver, não me acho…

Resumindo….

Garoeiro – Natal, RN, 4 de abril de 2014.

Daquelas minhas doces namoradas,

Tu foste a mais bonita, a mais gostosa.

Mas nossas almas se viram separadas

No terror dum país em polvorosa…


Após muitas décadas passadas,

E fruto duma visão milagrosa,

Refizemos lições apaixonadas,

Traídas pela intriga invejosa…


Porém, daquilo tudo estoy muy lejos,

Daqueles nossos fracassos passados,

Reconciliação que acaba em desterros…


Sem nos querer mais reconciliados,

Vou esquecendo a dor de nossos erros,

Com todos os pecados perdoados!

Leliane…

Garoeiro – Natal, RN, 6 de abril de 2014.

Jamais porei num poema,

Por mais que meu peito dane,

Amores em Guararema,

Nossa paixão, Leliane…


Gozar conta ser extrema

A fé que nos desencane;

Nosso gozo em teu esquema,

Também, jamais, Leliane…


No sítio de Guararema

Quis te amar sem nossa pane;

Mas somente no cinema,

Amor não trai, Leliane…


Teu perfume de alfazema,

Nenhum tempo o espane:

O lago era o estratagema

Dos sonhos de amor, Leliane…


Não fui mais a Guararema,

Tua vida, hoje, me bane;

Mas, na verdade da gema,

Paixão, cadê, Leliane?


Que a Rua Platina trema,

E ao futuro nada engane:

Pois quem nosso barco rema,

Nos salvará, Leliane…

Viva a Amizade!

Garoeiro – Natal, RN, 3 de maio de 2104.

[Para: Charles, no seu aniversário...]

Nem morador de jazigo,

De tanta inveja, hoje escapa;

Reciprocidade, é artigo

Que o egoísmo encaçapa.


Da virtude, cada abrigo,

O vício invadiu, a tapa;

Quando não, um inimigo,

Mãos, em trabalho de sapa.


Lá fora, corre perigo,

Logo na esquina, derrapa,

Este sonho que persigo:

Todo o povo, nosso chapa…


Poeta, sozinho sigo,

Meus poemas nem têm capa;

E esta heresia comigo,

É o que mudará o mapa.


Conviver virou castigo,

Na globalizada etapa;

Mas,   um dia, meu Amigo,

Todo mundo vai ser Papa…

Ponta Negra

Garoeiro – Natal, 7 de abril de 2014.

Quem pode marcar onde e quando vai morrer,

Se só sabe a vida o seu triste acontecer?


Porém, num coração poeta, quase findo,

Houve, sempre, este meu Éden, sonhado e lindo…


Éden, que sobre a aventura da vida avança,

E Ponta Negra alcança, só pela esperança…


É aqui que, tão feliz, eu vou morrer, um dia;

Eu não nasci aqui, mas bem que deveria…

1º de Maio

Garoeiro – Natal, RN, 1º de maio de 2014.

Havia, no começo, esse instrumento,

Horror da mão de obra, um martírio,

Quando, então, sob as pontas dum tripálio,

Era trabalho o pior tormento…


Escravo, ao sobreviver padecendo,

Somente pão e água por salário,

Era o trabalhador um ser espúrio,

Que sequer merecia estar vivendo…


Nas três unhas do tripálio sofrendo,

Erguendo a obra sem nenhum lamurio,

Sonho de liberdade era delírio,

À classe que o mundo estava fazendo.


Pelo mais injusto merecimento,

“Tripálio”, com seu torturante início,

Do terror da exploração, resquício,

Restou em “Trabalho” se convertendo…


Haja, nas festas que estão promovendo,

Cada sindicato, cada comício,

O sentimento do eterno repúdio,

Que novos tripálios estão trazendo…

Do subjuntivo…

Garoeiro – Natal, RN, 2 de abril de 2014.

De imaginar minh’alma se alimenta

Sublimando-me da dor de meus danos,

Esta esperança moça, há tantos anos,

Mesmo, agora, chegando aos setenta…


Viver bem consciente, desalenta,

Daí se viver só de fazer planos:

Sobrevida ao que sou de desenganos,

É o sonho de quando eu for que sustenta…


Mas, “quando for”, não é tempo presente,

E, a contra-senso do imaginativo,

Chego, sempre, reflexivamente,


Neste final bastante objetivo:

Só fora o presente, praticamente,

Todo, futuro do subjuntivo…