Categoria: Poesia

Il capo di tutti capi

Garoeiro – Natal, RN, 2 de agosto de 2016.

Propende o sonho bom, que exulta,

A palavra bonita da verdade!

A vigência escolar da língua culta,

Nenhum deus de mentira, dissuade.


O horrendo culto de enganar avulta,

Oculto na oração de santidade,

Enquanto a gaga cátedra, estulta,

Gagueja seu medo da iniquidade.


Porquanto o dom da fala é sagrado,

Não basta só pregão de fim de feira:

Ou, discurso merece o anunciado,


E, ora, ou chora, de qualquer maneira,

Quando carece mais ficar calado,

Onde, por boca abrir, diz-se besteira…

Alvo

Garoeiro – Natal, RN, 1º de agosto de 2016.

Quando amor fiz meu intento,

Na tenra idade, macia,

Guardava em meu peito atento,

Toda a beleza que havia,

Para oferecimento,

Através de poesia,

Às deusas do envolvimento,

Que, com paixão, seduzia.


Como, então, meu desalento,

Se boa mira, seguia,

Só bom relacionamento,

Mas, sozinho acabaria?

Tal, suscita o pensamento,

No mal que meu bem queria:

Não por ter o alvo aumento,

Ganha acerto a pontaria!

Navegador…

Garoeiro – Natal, RN, 31 de julho de 2016.

Por tormentas, plúmbeos ares,

Navego meu desconforto.

Sempre rotas só de azares,

Vê, meu tombadilho, torto.


Ai, de ti, se procurares,

No mar da vida, bom porto:

Vais singrar os sete mares,

E naufragar num Mar Morto…

O sacrifício

Garoeiro – Natal, RN, 30 de julho de 2016.

Nem o pecado perjuro,

Carece de ser humano:

A torpeza tem um furo

Que vara o meridiano.


Se não me valho maduro,

Batalho contra o engano,

Que faz o trabalho, duro,

E o capital, soberano.


Implodir o grande muro,

Exterminando o seu plano,

É a fé que clamo, ao futuro,

De que, perdido, me ufano.


Por isso, assim, me torturo,

Como, a preferir o dano:

Resistindo, eis, que inauguro,

Tempo, essencialmente, humano!

Errata

Garoeiro – Natal, RN, 29 de julho de 2016.

Perdoando-te o malfeito,

Assinei a separata,

Como sempre, do teu jeito,

Mas, paixão, não tem errata!


E, por tal vil desrespeito,

Eu, de ti, amada ingrata,

Nada quero e não aceito,

Seja, no amor, ouro ou prata!

O 1700º poema do Garoeiro!

Garoeiro – Natal, RN, 28 de julho de 2016.

Há mais de cinco anos aqui venho,

A salvar meus destroços submersos,

Meus esboços de sonhos tão diversos,

Na essência dos versos que desenho.


E, sobretudo, requereu-me empenho,

Bem lembrando de detalhes dispersos,

Contra os esquecimentos mais perversos,

Resgatar o que arte tem de engenho.


Credito a origem desse longo prazo,

Às mãos amigas, que, nas mãos do acaso,

Minh’alma libertaram das algemas.


E, a paixão desses mais de dois mil dias,

Toda, a vós, virtuais comparsarias,

De tais mil e setecentos poemas!

Içando velas…

Garoeiro – Natal, RN, 27 de julho de 2016.

Fossem meus setenta anos, premissa,

De ver que o fugacíssimo tesouro

Culminaria, enfim, no sumidouro,

Parece fé de areia movediça.


Essa paixão, que a poesia atiça,

Quer rumos viajar, sem paradouro,

Especialmente, no prazer vindouro,

Da solidariedade insubmissa.


Em tudo o que aqui canto, do que sinto,

Fulge luz que ultrapassa labirinto,

No esclarecimento dos enganos.


Sonham, pois, justa, luminosa sorte,

Os versos que hei de ser, depois da morte,

Hoje, içados nos meus setenta anos!

Perspectiva histórica

Garoeiro – Natal, RN, 26 de julho de 2016.

A consciência humana, essencialmente,

Nasce, originariamente, no escuro,

Luz piscante, entre passado e presente,

No afã de iluminar-se, no futuro.


Lamento, todo esse mundo de gente,

Que vive só pelo agora, seguro,

Em sendo mais um elo da corrente,

Que a cada verso meu, desconfiguro.


Pois, liberdade, é não ter mais medo,

Recusar o que nos é dado, inferno,

Cuidar, que paraíso, é muito cedo.


Me sinto livre, e quero ser eterno,

Três séculos, pulando, em seguida,

Mero mártir da linda, nova vida!

Trai, em dois, amor de um só

Garoeiro – Natal, RN, 25 de julho de 2016.

[ No 10º aniversário do Grande Amor, desfeito e inacabado... ]

Minha histórica paixão,

Sinto, agora, foi um jogo,

De, na Amada, a sensação,

Jamais, pôr as mãos no fogo.


Quem entrega o coração,

Amando sem pedagogo,

Concentra a percepção

Não, na essência, mas, no logo.


Crê viver, na encenação,

O gozo do velho rogo,

Que, mesmo achando ilusão,

Vende a alma ao demagogo…

Modernidade

Garoeiro – Natal, RN, 24 de julho de 2016.

Frouxa personalidade,

Pelas poças da vaidade,

Do pântano da ostentação,

Assanha em badalação,

Quando é uma luz escondida,

O motor da nossa vida,

A cujo áureo exercício,

Diversão, é desperdício.


Interiormente arredia,

Quer, essa luz que nos guia,

Não que se viva a esmo,

Mas, conhecendo a si mesmo,

Enquanto o mundo faz crer,

Que, bonito, é aparecer,

Impondo, a todo momento,

Auto desconhecimento.


Ser, vaidade, pecado,

Vaidoso, alienado,

Justifica, sobretudo,

Todo o absurdo desnudo:

Em vez de realização,

No bem de toda a nação,

Essa educação do avesso,

De sucesso a qualquer preço…