Categoria: Poesia

Louvada fama

Garoeiro – Natal, RN, 5 de janeiro de 2015.

Sei das Putas de Natal,

Só isso de ouvir falar:

Dão a essência original,

Que faz um homem gozar

Além do bem e do mal.


Seus sonhos, num carrossel,

Farão, na noite, rodar:

No ambiente do bordel,

O que você desejar

Vem mais gostoso que mel.


Essas deusas verdadeiras,

Prazeres luxuriantes

Vão de todas as maneiras,

Quanto não se sentiu antes,

Incendiar, alcoviteiras.


Seja por devassidão,

Por timidez ou recato,

Nas delícias o farão,

Pela beleza do trato,

No próprio harém, o sultão.


Bom êxtase, a gente sabe,

Tem duração de um segundo,

Querendo que o mundo acabe:

Eis, dizem, o dom profundo

Que de seus corpos, desabe.


É o que tenho ouvido, friso:

Chega-se, no bacanal,

Até a perder o juízo,

Junto às Putas de Natal,

A um passo do Paraíso.

Navegação Blogueira

Garoeiro – Natal, RN, 4 de janeiro de 2015.

Do sufoco eleitoral,

Agora, a turma esperneia:

Um Governo quase igual

Formado em vitória alheia!…


Uns dizem que o principal

Foi derrotar quem golpeia,

A corja antinacional,

Mantendo acesa a candeia.


Outros,  que não faz mal

Ter a cara assim tão feia

O clã governamental:

- Do couro, sai a correia…


No discurso inaugural,

De promessas à mancheia,

Vim ouvir o recital

Sobre castelos de areia…


Antiga é a atração fatal

Pelos cantos de sereia:

Verte o tom angelical,

Veneno, na taça cheia…


Qual novidade, afinal,

A quem sói verdade meia?

Cobrar da banca moral,

Quando só se trapaceia?


Se, lá no Planalto Central,

O que amonta nunca apeia?

Se quem rouba federal,

Jamais soube o que é cadeia?…

Nossos quatro anos!

Garoeiro – Natal, RN, 03 de janeiro de 2015.

[No 4º aniversário do Blog do Garoeiro!]

Bem antes,  já  escrevia

Sonhos que o peito dedilha,

E todo o mundo sabia

Os rumos da minha trilha.


E, eis que o Blog inicia,

Subindo no espaço a quilha,

Esta apaixonada via,

Que há já quatro anos, brilha.


Blogando meu barco espia

Alto mar de maravilha,

Mas a viagem é vazia,

Sem  horizonte,  nem  ilha.


Vendaval, onda bravia,

Nada turva a escotilha:

Somos eu, o céu por guia,

E a Poesia, minha filha…

Começo de ano

Garoeiro – Natal, RN, 2 de janeiro de 2015.

Quem a barra suportou,

Fez das tripas coração,

Pão que o Diabo amassou

Comeu, sem vacilação,

Pelas crises que se armou,

Melhorou a produção,

E o orçamento equilibrou,

Só com mais dedicação,

Mantendo o que faturou,

De Banco, nenhum um tostão,

Merece, e aqui já lhe dou,

Palmas e admiração.


Quem o ano que passou,

Viu mais outra negação,

Apesar do que lutou,

Problema na profissão,

Decepção que chegou

Na busca do coração,

Ou, a saúde que errou,

Nas mentiras de plantão,

Eis, com quem fraterno, estou,

E estendo a minha mão,

Que o ano que começou

Convida à nova ilusão…

O Dia de Deus Janos

Trinca-de-Az

Garoeiro1º de janeiro de 2015.

Alegrias, desenganos,

Hás de ver no Deus de Hoje,

Que dos olhares de Janos

Nada que é vivido foge.


2014,  e  antes,

Tua vida no passado,

Vê com olhos tolerantes,

Mas, tudo bem registrado.


Já a sua face frontal,

2015  e  o  futuro,

- Olhar firme, imparcial –

Começa a tirar do escuro.


Com Deus Janos fica inteiro

O Tempo – ido e vindouro:

Tudo terá em Janeiro,

Depois do fim,  nascedouro.


E, Janos significa,

Só Esperança e Paz:

Ao que virá se dedica,

Olhando o que está lá atrás.


Ante tal potência adrede,

Faz como quando menino:

Invoca Janos, e pede

Luz, mais luz, em teu destino!


Abraça, a todo vapor,

Cada ilusão que te acena:

Encontrar o novo amor,

Acertar a mega-sena!


Sonha o que queira, contente,

Goza o que Janos prescreve,

Pois há um ano pela frente,

E  Janeiro  é  muito  breve…

31 de Dezembro

Garoeiro – Natal, RN, 31 de dezembro de 2014.

Aquarela de Sambas

Tal represasse em açude

Seus sonhos do ano inteiro,

Na festa alegre se ilude

Um coração brasileiro.


Eu,  porém,  na  quietude,

Fujo do caos derradeiro

Que o costume à data alude,

E evito o rito festeiro.


Pois a contida atitude

Brinda ao dia passageiro:

Trinta-e-um,  cuja  virtude,

É  dar  lugar  ao  Primeiro…

Sem tratamento

Garoeiro – Natal, RN, 30 de dezembro de 2014.

Sem crer que foste última e primeira,

Uma paixão final,  sem  fingimento,

Dão cura,  amigos,  do meu sofrimento,

Sob cuidados de nova enfermeira.


Se há oposição à solidão solteira,

Sofrendo junto por meu desalento,

Não me confunde esse aconselhamento

Geral, em  prol  de  outra  companheira.


Não devo desejar ter essa amada,

No SUS do recomeço tão cantada,

Que o reconforto da esperança aprova.


Por  ti,  somente,  o  anseio  continua,

E inda que outro lindo amor possua,

É ir buscar sem te encontrar na nova.

Vídeo nº 82 – Chão florido de carmim 2

Vídeo nº 81 – Chão florido de carmim 1

Vídeo nº 80 – Verdinho que brota…