Categoria: Poesia

Por que?

Garoeiro – Natal, RN, 23 de outubro de 2014.

Ó,  Beleza,  que  a  ti  tanto  procuro,

Quiçá, praticamente a vida inteira,

Como insistes só sempre atrás do muro

E não cá, ser minha companheira?


Do humano engano o maior furo,

A desumanidade corriqueira,

Nosso diário sofrimento puro,

Nos regas com a tua sementeira.


Tudo belo eu quis na minha vida,

E radiosamente em esplendor,

Tua presença,  à  volta,  esparzida…


Fosse, porém,  na  letra,  no  amor,

Onde, Beleza, foste mais querida,

Por que negas a mim o teu calor?

Epicuro

Garoeiro – Natal, RN, 22 de outubro de 2014.

Se sofro esta luta imposta,

Contra o mundo vil, feioso,

É que o mostro mentiroso,

Subvertendo-lhe a aposta

De extinção do prazeroso.


Bom, na vida, é o que se gosta,

E o seu bem é só o gozo!

Amar,  é  maravilhoso!

Minha única resposta:

-  Porque  eu  gosto,  é  gostoso…

Arquibancadas…

Garoeiro – Natal, RN, 21 de outubro de 2014.

Sem ti,  amo o que ficou

Da nossa paixão tardia;

Teu jogo, intensificou

Meu gosto de poesia,

E fomos fazendo gol…


Agora,  que tudo acabou,

Ardo no intenso que havia;

Mas, quando a gente se amou,

Na intensidade que ardia,

Lia que era breve o show…

Na garoa…

Garoeiro – Natal, RN, 20 de outubro de 2014.

Com olhos de ver,

Acabei-me esquivo:

É vendo, sem ser,

Que, tendo, me privo,

Me faço conter.


Com mão de escrever,

No campo opressivo

Ousei combater,

Pouco persuasivo,

E sem convencer.


Buscando saber,

Tornei-me nocivo

À dor de viver,

Mas sempre cativo

Do simples prazer.


Não vou esconder,

Porém, o motivo

Do meu padecer:

Sentir que estou vivo,

Querendo morrer…

Sempre o mar…

Garoeiro – Natal, RN, 19 de outubro de 2014.

Quebra-mar

Esta vista do mar, eis, meu prazer!

Não quero nenhum outro compromisso.

Olhar, e olhar, sem me fartar de ver,

Feliz, que tudo o que mais quis, é isso…


Já chega de explicar e compreender;

Daqui, a tudo o mais serei omisso.

Que eu cegue a visão que me fez viver

Vivendo duro e amando o movediço.


Tão portentoso e forte, o mar que vejo,

Ao mesmo tempo, totalmente entregue,

Disponível ao navegante ensejo.


Pois que importa que a tanto mais me negue,

Se o mar faz, por meu último desejo,

Meu sonho de menino me navegue?!

Neste mercado de desamor…

Garoeiro – Natal, RN, 18 de outubro de 2014.

Para eles, trabalhar,

Só incondicionalmente,

É onde deixam começar

Ser aceito o amor da gente.


Qual prova, então, de gostar,

Dever, universalmente,

Ao que o crédito comprar

Para esse amor pretendente.


Ser, enfim, familiar,

E procriar, igualmente,

Fosse amor esse penar

Tão em moda, atualmente.


Mas,  não  se  deixe  enganar:

Amor, é gozar, somente,

Vivendo-o, quem sabe amar,

Gostoso, infinitamente…

Muitos outros junhos virão!

Garoeiro – Natal, RN, 17 de outubro de 2014.

Como confronta este mundo

O mais privilegiado

Com seu poder infecundo,

Com quem o faz fecundado?


Nenhum poderoso detém

O único bem poderoso:

Dando tudo e ir-se, além,

Para viver mais gostoso.


Absurda e obsoleta

Esta vil ordem vigente:

Só aos que mamam na teta,

Morre a vida da gente.


Mas toda consciência é bruta,

Quem entende, não aceita:

Vendo a essência, trava a luta,

Quem, hoje, o mundo rejeita.

Se eu tivesse que orar…

Garoeiro – Natal, RN, 16 de outubro de 2014.

Só eu sei, e mais ninguém,

Quanto acaba desgraçado,

Ao se dar, inteiro, quem

Pela amada é abandonado!


O abismo do abandono,

Cruel, unilateral,

Quis meu firme amor no trono,

Esta queda infernal!


Junto, vi-me unido, tanto,

Que tudo estava juntado:

Como, do mais sacrossanto

Céu, me cai tão vil pecado?


Porém, a dor que espiono,

Olhando o escuro, da cama,

Vê que o olhar que era meu dono,

Abandonara a quem ama…

Luz e Sombra

Garoeiro – Natal, RN, 15 de outubro de 2014.

Pouco claro, muito escuro,

Tanta dor, e algo contente,

Buscar o amor mais puro,

Bem apaixonadamente,

É o que, no mundo inseguro,

Vale a vida, unicamente,

Tal belo sonho maduro,

Que, destino, veio à gente!


Tua ardente empolgação,

Aquela entrega, incontida,

Mascaravam-me a ilusão

Que a mim estavas unida,

Cuidando da relação,

Fosse a glória mais querida,

E viver nossa paixão,

O melhor de minha vida!


A cola da convivência,

Enquanto une o casal,

Inclui a clarividência

Do aparente ao essencial,

Tanto que tive ciência

Que ao amor original

Já negavas competência,

Pois não me amavas igual.


Todavia, claridade,

Realidade luzindo,

A quem mais a sombra agrade,

Desnuda o sombrio lindo…

Ao abrir-me à realidade,

Deixaste de amar fingindo:

- Por que me deste a verdade,

Em vez de seguir mentindo?!

A cunha

Garoeiro – Natal, RN, 14 de outubro de 2014.

Jamais fui à Catalunha,

A sonhar magos lugares,

Nem por isso touro à unha

Dobrei tanto aos calcanhares…


Vendo que um azar transpunha

Meu combate dos azares

E pouca sorte dispunha,

Quis singrar em outros mares…


Erro que é, hoje, uma cunha

Entre o que sou e meus pares:

Sua glória, me acabrunha,

A  minha,  bebo  nos  bares…