Categoria: Poesia

Minha poesia

Garoeiro – Natal, RN, 13 de outubro de 2013.

Minhas dores vão escritas

Nestas ambíguas leituras,

Por entre rimas malditas

Transitadas de doçuras.


Nem felizes, nem benditas,

Nem consagradas figuras:

Expressões tristes, aflitas,

De reveses, amarguras.


Com alegrias descritas

Por magias inseguras,

Em que só letras proscritas

Rezam riso de molduras…


Fosco brilho destas ditas,

Fiz, no fundo, só de agruras;

E do que sofro, pepitas

Douradas nas escrituras…

Intimidade

Garoeiro – Natal, RN, 10 de outubro de 2013.

Meus cravos espremer vinhas

Em doida cumplicidade,

Revertendo as picuinhas

À plena sinceridade.


Idéias jamais mesquinhas,

Sem força, sem claridade,

Pude achar nas entrelinhas

De toda a nossa verdade.


Sagravas as glórias minhas

Em pueril simplicidade,

Com as suas mãos marinhas

Inundadas de amizade.


Nem a aura das rainhas,

Nenhuma faustosidade,

Gozava mais do que as minhas

Horas de amorosidade…


Além do amor que nos tinhas,

Fora aquela felicidade,

Sentia que outras linhas

Destinavam-te a cidade…


Nem tantas suplicazinhas,

Nem rogar por piedade,

Nem tuas preces sozinhas,

Evitaram a maldade…


Meus cravos, tuas espinhas,

Nossa rica intimidade,

Pelas causas que adivinhas,

Só os espreme a saudade…

Foi inveja…

Garoeiro – Natal, RN, 6 de outubro de 2013.

Amar é acreditar na infinitude,

Crendo já eterno o amor começado,

Pois impossível de ser acabado,

E que esse gozo nunca nada mude.


Vivi exatamente essa atitude,

Sonhando-me por ti apaixonado;

Convir tudo acabar só é explicado

Pela força do vício ante a virtude.


Toda a infinita construção sensível,

Dois universos em auto-fusão,

Duas histórias do mais alto nível,


Num bafejo da inveja, vão ao chão!

Ficou este anel de ouro imperecível,

Teu nome gravado, e um coração…

Fatídica data…

Garoeiro – Natal, RN, 27 de outubro de 2013.

Era outubro,  vinte e sete,

Quando a lei dum violante,

Fôra eu biltre, meliante,

No Grande Amor deu delete.


False o bem, mal acarrete,

Com sua fraude gritante,

Um juiz de jus distante,

Eu a bola, ele a raquete.


Amor que a paixão afete,

Não se corta,  tal  barbante:

Ele há de crescer bastante

Da injustiça que lhe vete…


De julgar, como a pivete,

Meu melhor sonho de amante,

Matou-nos, naquele instante;

Foi  outubro,  vinte  e  sete…

… não é a arte do encontro…

Garoeiro – Natal, RN, 5 de outubro de 2013.

A tentação do encontro é uma loucura

Dispondo que um vazio coração,

Solitário em sua pulsação,

Sem uma companhia não tem cura.


E, cedo vira tudo essa procura,

De tantos planos na perseguição

Da alma gêmea da imaginação,

Triste sina que a vida inteira dura.


Morre nos desconsolos veteranos

A verdade dos sonhos dos casais,

Vertidos em promessas e enganos.


Somente agora  – só !  -  sarei meus ais.

E se jamais realizei meus planos,

Sinto-me bem de não ter planos mais…

Scribens…

Garoeiro – Natal, RN, 24 de outubro de 2013.

[Para: Isaías, in memoriam...]

Quis sempre ouvir o futuro,

Algo bom que me dissesse;

Reza o futuro uma prece

Só de silêncio e escuro…


Do presente, meu contato,

Sabotado no transcurso,

Quer fugir de seu discurso

Só breve e imediato.


Com o passado converso,

Reinventando o passado,

Feliz, com o reinventado,

Mas, do que foi, bem diverso…


Deixa sempre desengano,

Falar, ouvir, escutar,

Querer se comunicar,

O maior desejo humano…


Por isso,  gosto  da  escrita:

Criar,  no som convertido,

Além do próprio sentido,

Esta presença infinita!

Vídeo nº 10 – Titanic

Vídeo nº 9 – Soneto

Partir é morrer um pouco…

Garoeiro – Natal, 4 de outubro de 2013.

Desse morrer um pouco que é partir,

Quando inda o laço de gostar persiste,

Disse o poeta,  é  a  sensação  mais triste,

Que faz ao coração Amor sentir.


Daí  vir todo o mundo preferir

Fazer de conta que amar consiste,

Ao não ousar gozar Amor que existe,

Viver nas aparências de existir.


Sem a felicidade que vigora,

Sem nada do que é tanto preferido,

Sinto-me  a  vida salva,  aqui,  agora!


Feliz em nem vencer, nem ser vencido,

Não mais ter de partir,  de  ir  embora,

Sendo,  em vez de lembrado,  esquecido!

Macho & Fêmea…

Garoeiro – Natal, RN, 23 de setembro de 2013.

Desumano exercício do poder,

Na história humana vindo lá do início,

Fez da mulher, o macho, o pior vício,

Objeto de braço e de prazer.


Rejeitando, porém, seu padecer,

Com feminista histórico comício,

Quase a mulher extingue seu suplício,

Na batalha de igual ao homem ser.


Mas a ironia vil desse roteiro,

Aos desiguais não deu mérito algum,

Se, por inverter o vício primeiro,


Quer a mulher podendo – e é comum –

Mais hoje seja a ela o companheiro

Tal objeto de prazer mais um…