Categoria: Poesia

Plim-plim

Garoeiro – Natal, RN, 14 de junho de 2016.

Nem tudo o que é elogiado

Veio de livre cabresto:

O elogio é assoprado

Pela causa do contexto.


Sempre que Deus elogia,

Ninguém vê, jamais, descabo:

Porém, há pouca euforia,

Se elogia, o Diabo.


Elogio há, que atesta,

A glória da cor marrom:

É certeza que não presta,

O que a Globo diz que é bom!

Céu

Garoeiro – Natal, RN, 13 de junho de 2016.

No  golpe,  que  se  insinua,

Fico olhando a conjunção

De Júpiter com a Lua,

Celestial comunhão.


Que a união nossa destrua,

Trama, o algoz da opinião;

O céu, porém, conceitua

Quanto é linda, a união.


Tudo, amanhã, talvez, rua,

Na falsa conspiração,

Contra a inspiração crua

Do astral, no meu coração…

Torcida

Garoeiro – Natal, RN, 12 de junho de 2016.

A Política me aperta,

No afã que desapareça

Esta fé na coisa certa,

Dentro da minha cabeça.


É só uma diária oferta

Da pior ética avessa,

Na conjuntura deserta,

Sem futuro que mereça.


A causa, hoje, está coberta

Com tal vilania espessa,

Que em ser posta mais liberta,

Tanto mais tudo envileça.


Só o meu sonho conserta

Que a esperança não pereça:

Na Juventude,  desperta,

Torcer  que  a  Revolta,  cresça…

Omar & Joana…

Garoeiro – Natal, RN, 11 de junho de 2016.

Joana e Omar,

Fogem da cana,

Só por fumar

Marijuana.


Joana diz, fuma,

Omar, e traga;

E, os dois são uma

Fumaça vaga.


Joana e Omar,

Mal deles sabes,

Mas, só do par

Tens a cannabis.


Omar e Joana,

Que o mundo agro,

Tornam bacana,

Eu,  vos  consagro…

Tu me salvaste

Garoeiro – Natal, RN, 10 de junho de 2016.

Quando, inteira, minha vida,

Vou lembrando, dor por dor,

Nunca dou-a por perdida

Porque eu tive um Grande Amor.


Desde a infância, vi, traída,

Por um senso impostor,

Minha causa preferida

De ser só um sonhador.


Por meus sonhos, atraída,

Gente, de jamais supor,

Vi, mas, pouco convencida

Da união e seu valor.


De modo que, resumida,

Minha história apaga o autor.

Mas, assim, malsucedida,

Ah, que glória o nosso amor!

Dos amores…

Garoeiro – Natal, RN, 9 de junho de 2016.

Na cama de amor jurado,

O gozo reivindica,

Além do bem que foi dado,

Quem, lá fora, o bem replica.


Eis que sendo replicado,

Onde o mais, não prejudica,

Bom amor em dois, casado,

Muito melhor, além, fica.


Enquanto uni-exercitado,

Amor só se comunica

Sob o rito estacionado

Na parceria pudica.


Diz, porém, velho ditado,

Que ao demais de amar se aplica:

- “Mais que todo o procurado,

Vale ter o amor que fica”…


Melhor, mesmo, é ser amado,

Por quem todo o amor dedica.

Quem estica amor dobrado,

Faz que ama, mas, fornica.

No vermelho…

Garoeiro – Natal, RN, 8 de junho 2016.

Tanto que amei, no passado,

No anseio de amor perfeito.

Único saldo, em meu peito,

Felizmente, aqui, lembrado.


Ser feliz, é complicado

Para quem amar direito.

E, seu mais difícil jeito,

É ser feliz, sendo amado.

A montanha

Garoeiro – Natal, RN, 7 de junho de 2016.

No parto da montanha mais nefando,

Os ratos têm divina condição:

Corrompem os costumes, legislando,

Com respaldo da Constituição!


Mercam, no crime, sem parar, gozando,

Do benfeitor, a imune proteção,

Bem garantindo segurança, ao bando,

Privilégio legal de distinção.


Paridos junto à escória dos estados,

Desfilando, no covil dos deputados,

Mandatos de negócios, com talento,


Só legislam na lei do paga-e-ganha,

Vendilhões, pois, no altar do Parlamento,

Ratos natos do parto da montanha!

Assédio

Garoeiro – Natal, RN, 6 de junho de 2016.

Meu destino era a mulher,

Para amar e ser amado,

E este peito já não quer

Tal bem, decepcionado.


Sei que há, além do que puder,

Mar de amor, não navegado,

Porém, prefiro o escaler,

Com meu futuro embarcado.


Só navegar é mister

Ao sonhador, naufragado,

Tanto mais, se o mar quiser

Submergir o passado.


Para o que der e vier,

É o desejo acumulado;

E o seu desgaste, requer,

Evitar barco virado.


Por tanta ninfa qualquer,

Meu batel é assediado;

Mas, no amor que ela me der,

Sentir-me-ei desamado.

Juízo final

Garoeiro – Natal, RN, 5 de junho de 2016.

Ao falecido, agora sobrevive,

Seu bom exemplo, sua importância,

Uma lição de vida que convive

Com a que almejamos na distância.


Que até, tais qualidades, inclusive,

Já as trouxera desde sua infância,

Sem lembrança do morto que motive

Seu desabono, por nenhuma instância.


E, nas louvas finais do repertório,

Falavam-lhe, as bocas do velório.

Só a companheira não dizia nada,


Pois, despedia-se, sob o véu mudo,

Daquela honestidade fracassada,

E o seu covarde respeito por tudo.