Categoria: Poesia

Maldição

Garoeiro – Natal, RN, 18 de março de 2014.

Foi pior que um tiroteio

A nossa separação:

Qual de nós teve receio

De mirar no coração?


Do ferimento mais feio,

Nos gritos da discussão,

Nossa raiva foi o meio

A fim da indignação…


Nos trancos desse galeio

Vi meu céu cair no chão:

Desespero sem recreio,

Dor sem interrupção…


Vendo escapar-me sem freio

O nosso mar de ilusão,

Nem um mísero e-mail

Do naufrágio em salvação…


Telefonemas, correio,

Qualquer comunicação,

Nada feriu o asseio

Daquela desilusão…


Um milagre, um sorteio,

Refizera a união:

Um Grande Amor, no recheio,

Coberturas de paixão…


E esse tão sublime enleio,

Até por educação,

Bem merecia alheio

Contexto, em sua extinção…


Nosso amor, eu hoje creio,

Foi a minha maldição:

Meu mais terrível passeio

Nas ruínas da traição…

De vencedores e vencidos…

Garoeiro – Natal, RN, 14 de fevereiro de 2014.

De tudo o que há de evitar,

Que é proibição aceita,

Ver um coração amar

É a mais infeliz receita…


A inocência a procurar,

Por ali, a mais benfeita

Das delícias de gozar,

Coração, mentindo, enfeita…


Mas, qualquer um que adentrar,

Olhando a visão perfeita,

Há-de tremer e chorar

Num mar de mágoa e desfeita.


Que a lei do mundo, a um par,

Clama ao mal, e o bem rejeita:

Vencer, impõe derrotar,

Desamor, é a sua seita…

Perdas & Danos…

Garoeiro – Natal, RN, 11 de fevereiro de 2014.

Na cósmica negociação eterna,

Em que jamais nos quitará a morte,

Quanto é ridículo, de toda sorte,

Esse fulgor que uma vitória externa.


Desde o nascer, já concessão materna,

Tanto ensina a vida, de sul a norte,

Que a maioria que perde é que é forte,

No triste mundo que o erro governa.


Só na pedagogia do fracasso,

Espera, um dia, a verdade vencer,

Tanto que perdôo o fim que me traço,


Nem desespero com tudo perder,

Se das perdas, sei muito bem, que faço;

Porém,  com Amor,  não  sei  que  fazer…

Stranger in paradise

Vídeo nº 36:

Garoeiro na rede e Lua no céu

Vídeo nº 35

Canção dos Anos Dourados

Garoeiro – Natal, RN, 13 de março de 2014.

Ah,  aqueles tempos idos

Ainda não deletados,

Lembrados e esquecidos…


Prazeres tão preferidos,

Esquecidos e lembrados,

Em memória, convertidos…


Nos gozos aqui tangidos,

Vão sendo recuperados

Esses tesouros perdidos…


Já sem,  claro,  os desmedidos

Desejos desconcertados

Das idas, loucas, libidos…


Nem mais ousados, metidos,

Tão metidos, tão ousados,

Quanto nos sonhos havidos…


Mas,  agora  esclarecidos,

Mais claros e melhorados

No que foram merecidos…


-  Bons  tempos  envelhecidos,

Velhos êxtases passados:

Hei  de  vos  ter  revividos !

Minha praia…

Garoeiro – Natal, RN, 12 de março de 2014.

Demais demorou, mas veio:

Ponta Negra, minha praia,

Eu de ti jamais apeio!


Meu coração fica cheio

De belezas da Mãe Gaia,

De tanto que te passeio!


Já nem tenho mais receio

De ser pego de tocaia,

Morrendo contra o que anseio.


Pois, Ponta Negra, hoje creio,

Onde andei merece vaia,

Perto de ti tudo é feio…


Vivo agora doce enleio,

Em que meu sonho desmaia

Nesta areia que permeio…


Querendo,  da  dor  alheio,

Que este tempo não se esvaia,

Minha  vida,  saboreio…

Vale-tudo

Garoeiro – Bauru, 04 de janeiro de 2012.

Ninguém vive para medir o Mal profundo,

Senão, para alcançar no Bem, a salvação,

Sem relevar, dentro de nós, o bicho imundo,

Sobrevivendo, sempre, à civilização!


Mas, não há como viver tanto neste mundo,

Desconhecendo aonde o Mal é campeão,

Quando ao abismo, ela empurra, num segundo,

Quem lhe dedica o Grande Amor, de coração!


Em quase toda a vil maldade humanizada,

Que a condição de vida avilta, sobretudo,

A velha humana fera está manifestada.


O horror é máximo no amor de vale-tudo,

Porque significa reduzir a nada

O único Bem nosso capaz de valer tudo.

Inadimplente

Garoeiro – Bauru, 26 de dezembro de 2010.

O grande mal a condenar quem não se deu

É ao fim só insensatez achar no que guardou,

Cheio de inveja do insensato que gozou

Tudo que a vida quis e o mundo concedeu.


Pois, a essência oculta do que se acumulou

É o vão vazio do que bem não se viveu,

Mais a injustiça imposta ao povo que perdeu

Para a felicidade vil do que poupou.


Sobrevivendo sem ter nem algo guardar,

Em pleno auge da concentração de renda,

Além de dar como vencida a parcimônia,


Teu lançamento é este desfalque de amargar:

Por nada, a ti todo me dou, e, à conta errônea,

Credora és de todo o Amor que se despenda…

Ah, aquelas tuas fantasias…

Garoeiro – Natal, RN, 07 de fevereiro de 2014.

Tão linda verdade feita de enganos,

Do anseio que não nos vem nutrida,

A paixão, esta sempre inconseguida

Devoção, a governar nossos planos.


A governar, quieta, tudo o que amamos,

Transformando cada causa perdida,

Na melhor desejosa e preferida

Vocação dos nossos melhores anos.


Vivo, hoje, nestas horas gloriosas,

Tão bem lembrando tudo o que urdias,

Naquelas tuas pulsões gozosas,


Quando o teu desejo, nas fantasias,

- Ah, as tuas fantasias tão gostosas -,

Fervia o nosso amor em que ardias…