Categoria: Poesia

Comecinho de namoro…

Garoeiro – Natal, RN, 31 de outubro de 2015.

Com este perfume, tal,

E, assim, desabrochando,

Cor-de-rosa sem igual,

É, a flor que estás me dando,

Inconfundível sinal

Que andas silenciando

Sobre lance essencial.


Se ando tanto te adorando,

Desse jeito, especial,

Cuida que o considerando

Reinventa o gestual,

E, ao te ir assediando,

Faço do botão coral,

Um  beijo  teu,  sussurrando,

Um  beijo  teu,  afinal!

Com mulher que não a tua…

Garoeiro- Natal, RN, 30 de outubro de 2015.

Essa exerção do conúbio,

E o gozo, sem interlúdio,

Cá, neste assédio, tão dúbio,

Se, hoje, o tens por bom prelúdio,

Cuida, já, de achar refúgio,

Pois, contra ti, por repúdio,

Hão de armar grande distúrbio,

Agressivo, estapafúrdio…

Frevo

Garoeiro – Natal, RN, 29 de outubro de 2015.

FREVO DA SAUDADE

Sonhar não é o roteiro

Que subestima relevo,

Porém, bem mais, um letreiro

Da ousadia a que me atrevo.


Deus-mercado, financeiro,

Hoje, tem global enlevo,

Mas, busca achar companheiro,

O futuro que prescrevo.


Se é destino brasileiro

Ver nossa sorte num trevo,

Ao manejo do canteiro

Dei a vida,  nada  devo.


E, há de ter bom paradeiro,

Áureo sonho que descrevo:

Por todo o Brasil, inteiro,

A  gente  a  cair  no  frevo…

De Ribeirão Preto a Bauru…

Garoeiro – Natal, RN, 28 de outubro de 2015.

Se da bela tez de Apolo,

A inveja escurece a luz,

Se criança faz no colo

Da mamãe que a conduz,

Já que todo o bem é polo

Para imanência de cruz,


Eu, que no erro me escolo,

Contra o errado onde me pus,

Só no Grande Amor controlo

O que te perder traduz,

Pois, foste infame, sem dolo,

Quando a ti só me dispus.


Mas, teu reino não violo,

Nem o vício de teu jus,

Sem o amor do protocolo

Com que perdoa, Jesus…


Logo, aqui, embora, solo,

Tua lembrança me induz

Os sonhos em que decolo

Para as antigas Baurus…

Canção da traição

Garoeiro – Natal, RN, 26 de outubro de 2015.

Enrascada,  chama  Lula,

O que Dilma tanto insiste,

Mas o mal pede outra bula.


Na presidenta postiça,

O atraso vai mandando,

Sem ministro da justiça.


Dona Dilma Maravilha,

Troca o povo brasileiro,

Por cabeça de planilha.


CONTAG, MST,

E o Via Campesina,

Pela Kátia anti-PT.


A parca distribuição,

E menos desigualdade,

Por juro, arrocho, inflação.


Em tudo que Luta cabe,

Mostrando força, coragem,

Faz de conta que não sabe.


Só não vê que ela traiu,

Essa Esquerda sempre amante

Da Direita do Brasil.

Ruminantes…

Garoeiro – Natal, RN, 25 de outubro de 2015.

Dor, sentida, a que encerra

Bom amor, amado em falso,

Tanto erro que há na Terra,

De desterro, a cadafalso,

Justo, a mim, o Acaso, ferra:

Do bem mais alto que alço,

Este processo, esta guerra…


Já, no fim sem falsidade,

Eis, que um Grande Amor termina

Alvo da causalidade

Duma essência feminina,

De ingênua maturidade,

Pois, do final, que elimina,

Rumina a continuidade…

Único mal verdadeiro

Garoeiro – Natal, RN, 24 de outubro de 2015.

Do  Demônio  é  o  pergaminho

Que enleia o rico sorrindo,

Tudo o que é bom,  sozinho,

Gozando  e  usufruindo,

Pois, esse é o mal mais daninho,

Dele, o  Inferno  advindo.


Na Fortuna, cresce, infindo,

O apetite do caminho;

E o grão que nutre o que é lindo,

Prova-se, devagarinho,

Por quase nada, é bem-vindo,

Por bom dando, ter pouquinho…

Quereres

Garoeiro – Natal, RN, 23 de outubro de 2015.

Querer, verdadeiro e puro,

Da pureza da vontade,

É o intento imaturo

De lá, da mais tenra idade.


Cedo, o infantil potente,

Sob ataque dos sofreres,

Começa a ser diferente,

Vira o querer dos deveres.


O que quis, assim, outrora,

Sinto, agora, por dever,

Fora de lugar e hora,

Contra o que devo querer.


E a diabólica usina,

Por trás do que a mídia enseja,

Seus quereres patrocina

Por tudo o que se deseja.


Todo o mundo acha que anseia

Sonhos que tanto ambiciona,

Preso ao canto de sereia,

Do Mercado, única dona.


Querer livre, na aparência,

Prega o discurso do gosto,

Mas, o querido, em essência,

Ou não é, ou é imposto.


De ouvir que foi dito: “Eu quero”,

Outra vítima presumo,

Que pensa querer sincero,

Sendo agente de consumo…

O bom trabalho

Garoeiro – Natal, RN, 22 de outubro de 2015.

Ó,  Poética,  onde é tão bom estar,

Imenso chão de formosura e canto,

Que o sumo bem reserva a este recanto,

O trabalho gostoso de criar.


É criação que se propõe arar,

De tanto amar o já florido manto,

A que colhesse, algum Leitor, se tanto,

Beleza original de interpretar.


Mas, por puro o que verso interprete,

Quem cria, sempre um pouco mais repete,

Neste campo, que só se colhe à meia.


Plantio, essencialmente, de ousadia,

Ousar é que ara o chão da Poesia,

E o Poeta, é ousando que semeia…

No aniversário do mais querido…

Garoeiro – Natal, 21 de outubro de 2015.

Eis, meus parabéns, sem brilhos,

Nem ar de festa que exalta,

Mas, marcados dos exílios,

Após dar-te a Vida, alta.


A viúva, mais teus filhos,

No prazo da tua falta,

Tateiam a volta aos trilhos,

No destino que os assalta.


Calaram-se os estribilhos,

Na plateia e na ribalta;

E o ego, sem empecilhos,

Cada um por si ressalta.


Enquanto sonho idílios,

Num futuro cosmonauta,

Faltam recursos, auxílios,

Ao dia-a-dia da malta.


Por acasos andarilhos,

Nos levou-te a Morte, incauta:

São meus versos,  domicílios,

E  a  saudade  a  nossa  pauta…