Categoria: Poesia

Happy new year!

Garoeiro – Bauru, 7 de janeiro de 2012.

Ignora, quem? no fundo,

Que tout c’est la même chose

Nas maldades deste mundo,

Seja néscio ou virtuose?!


- Saúde?! só para mim!

Academia e B-12…

Minhas mãos, as lavo assim,

No exercício e na pose…


Tudo o que me vem é lúdico

Sem que um segundo eu repouse

Naquele senso esporádico

Para ter la vie en rose…


Mas, de tudo o que vem vindo,

Vá à nova guerra o close,

Com o Deus-da-Morte rindo,

Agora, em 2012!

Manifesto

Garoeiro – Natal, RN, 5 de março de 2014.

[Para o Velho Alberto, herói bauruense da Coluna Prestes...]

Ninguém nunca irá achar

O que nasceu a pedido,

Ou vir nos apresentar

Alguém da morte saído…


Nossa vida é caminhar

Só rumo desconhecido,

Contra a força do avatar

A quem tudo está vendido.


Não adianta esperar,

Espertamente, iludido,

Que se possa enganar

Esse monstro, distraído.


Desafio de enfrentar,

Sem admitir traído,

Viver, somente em lutar,

Realmente, faz sentido.


O poder de ameaçar

É essencialmente erguido

Sobre o gosto de deixar

O medo passar batido…


Vencer é se aliar,

Derrota, estar desunido:

Começa em se acreditar,

Ver um dia o mal vencido.


Esse eterno dominar,

Na indiferença, nutrido,

Se a gente quiser mudar,

De pronto, será varrido.


Se a mesma lei secular,

Que o Brasil tem exaurido,

Puder novo golpe dar,

Meio século é perdido.


Basta de só argumentar

Contra o terror ressurgido:

É,  ou a luta travar,

Ou morrer desiludido.

Governo de espertos…

Garoeiro – Natal, RN, 26 de fevereiro de 2014.

Em sendo a esperteza a arma do escravo,

Desmascarado sempre, cedo ou tarde,

Que é o esperto, na verdade, um covarde,

Eis-nos, agora, perdidos num conchavo…


O preço do Brasil, sem um só bravo,

Capaz de honrar o que há, sem alarde,

Limpo dessa ambição que a tudo encarde,

São bilhões que não valem um centavo…


Só contam com discursos moderados,

Que vêem uníssona desimportância

Nos golpes que estão sendo preparados.


Que da luta a esperteza quer distância,

Pois disfarça os mesmos erros passados,

Covardemente  atrás  da  tolerância…

Já vimos esse filme…

Garoeiro – Natal, RN, 24 de fevereiro de 2014.

Já que a concessão de seus donos venceu,

Vai,  novamente para lá,  o  poder;

Covardia e ganância vão vender

Outra vez o Brasil, o meu, o seu…


Se tanto é algo, a si, de conceder,

Até o que a liberdade nos valeu,

Pode anotar que ainda não nasceu

O que, por medo, me fará ceder.


Outro discurso de abrir, fechando,

De fazer por melhorar, suprimindo,

Pode ir à classe média enganando;


Se nenhum pouco eu temo o que vem vindo,

Combaterei,  de  novo,  o  mesmo bando,

Mesmo  velho,  lutando,  resistindo…

VPR

Garoeiro – Natal, RN, 31 de março de 2014.

[Para: Dilma, que em seu triste mundo de razão,

não tem mais nenhuma ilusão bela...]


Ao maltratar um sonho, uma ilusão,

Bobagens do sentimento infantil,

O realismo deste mundo vil,

Posa qual fora o dono da razão.


Mas a única continuação,

Fora da louca orgia mercantil,

E além da aceita condição servil,

É o que continuou no coração!


Dos fatos, da teoria, é diverso

Quase tudo o que o futuro revela,

Menos o que ficara em sonho imerso…


Do imaginado, a vida é uma sequela,

Se em face das vitórias do perverso,

Não se desfaz, jamais, a ilusão bela!

Última súplica…

Garoeiro – Natal, RN, 23 de fevereiro de 2014.

Não  mais  suporto,  quero  revelar

Com que final selou o amor da gente,

Essa,  que volta a me condenar,

Enquanto a amava, apaixonadamente.


Pois quem recorre ao blefe de acusar,

No fim,  disse-me  assim, tão inclemente,

Porque quisesse eu sempre chefiar

A  nossa  vida,  autoritariamente:


-  Eu imploro,  chorando neste lenço,

Escravo de amor sendo seu,  não  chefe,

Mais um minuto só do amor imenso !


- Não mesmo,  nem mais um minuto,  Jef,

Seu mundo de poesia,  eu  dispenso,

Pode ir embora,  você  foi  um  blefe !

Aurora!

Garoeiro – Natal, RN, 1º de março de 2014.

Só à Mecânica Celeste,

Tão firmemente precisa,

Este nascente aqui bisa

A rubra Aurora no Leste…


O rigor rígido visa,

Pela órbita, inconteste,

Repetição que se preste

À lei que o Tempo eterniza.


Contra a noite, o dia investe

O eterno Sol, que reprisa

A mesmíssima divisa

Dominada pelo Oeste.


Nada inova ou paralisa

No Espaço que se desveste;

Mas,  deste  amor  que  me  deste,

Outro  é  o  sol  e  nova  a  brisa…

Neste imenso vazio de Grandes Mulheres…

Garoeiro – Natal, RN, 3 de março de 2014.

Amadas do meu caminho,

Passadas de meio cento,

Beber como extinto vinho,

Com igual merecimento?


Um mar de prazer pertinho,

Sem nenhum desejo isento,

Nenhum pecado vizinho,

Mergulhadoras do vento…


E nesse mergulho lento,

Boiando, devagarinho,

Ver navegar com talento

Nosso amoroso barquinho…


Quase só encantamento,

Intimidade e carinho,

Buscando o conhecimento

Do oculto ego marinho…


Pois é esse o argumento

Do meu solitário ninho:

Eis, que não é sofrimento,

Nem me dói viver sozinho…

Deus-Mercado

Garoeiro – Natal, RN, 4 de março de 2014.

Seja só falso, fingido,

O que amoroso for,

Que amar nos foi proibido

Pelo Poder Mercador!


Mas quem procurar sentido

Contra o caos usurpador,

Não dando já por perdido

O tempo desse valor,


Há de ver, vendas, despido,

Nesta perversão do Amor:

De todo amor pervertido,

É dinheiro o perversor!

Na Universal…

Garoeiro – Natal, RN, 7 de março de 2014.

Só virtudes de fachada,

E o sagrado, ofendido;

Milagre, uma patacoada,

Ante o Salvador, traído…


- Põe tua boca calada,

Ó Pastor convencido:

Deus, não resolve nada,

Deus só quer bem resolvido!