Categoria: Poesia

Oi!

Garoeiro – Natal, RN, 2 de dezembro de 2015.

Quando ela passa, sorrindo,

Mero “oi”, promete “ois”,

E, então, sinto tudo lindo,

Neste triste dia dois,

Tudo passa a ser bem-vindo,

Bem-vinda a Alegria, pois,

E a solidão, me oprimindo,

Adio, para depois…

Dezembro

Garoeiro – Natal, RN, 1º de dezembro de 2015.

Por ser falso derradeiro,

Ele enche a esperança escassa,

Dando à ilusão do pinheiro,

Boa fé, que a ultrapassa.


Sai do décimo terceiro

A consumista trapaça

Que instala o rito festeiro

No ruído da desgraça.


Comemora, o mundo inteiro,

Mais outro ano, que passa,

À espera de janeiro,

Sua renovada graça…

Porque vivo de meu sonho

Garoeiro – Natal, RN, 30 de novembro de 2015.

Sempre ao me livrar do Mal,

Bem destaco o livramento:

Em tudo que é essencial,

Nada há de esquecimento.


O Bem, que tanto venero,

Quanto mais quero, me trai;

Inda assim, é o Bem que quero,

E no Mal, nada me atrai.


Meu Sonho tem endereço

E erra, jamais, o alvo:

Enquanto salvo o que esqueço,

Ressuscito no que salvo.


Esperar da Vida o Bem,

Pelo gosto da Esperança,

Só o Diabo diz amém,

E, em nossa desgraça, dança…

Perfis de escravidão

Garoeiro – Natal, RN, 29 de novembro de 2015.

O plano feicebuquino

Mostra sua imensa malha,

Mas, esconde o intestino.

Que sou mais que sou, espalha,

Tanto mais, quanto eu opino.

Sua conversa bimbalha

O meu ego de menino.

E, no jogo que embaralha,

Que faz grande, o pequenino.

Jogar, jamais, a toalha,

Se quando canto meu hino,

Em louva, o gueto agasalha,

Até meu ódio, assassino.

A vida? uma grande falha,

Que, comentando, eu turbino,

Enquanto a mão que trabalha

Serve a mesa e bate o sino.

No achismo que rixa engalha,

Vou me tornando cretino,

E, cada vez, mais canalha.

Sem ver, que meu desatino,

Mínimo grão desencalha

Na lavoura do destino.

Fomenta falsa batalha,

O plano feicebuquino:

Disfarça, em fogo de palha,

O incêndio genuíno…

Verde

Garoeiro – Natal, RN, 28 de novembro de 2015.

Dei meu coração sangrado,

Ao combate indistinto,

Que é manter sem ser queimado

Neste imposto labirinto,

Meu faminto verde amado.


Mas, verdade falta, eu sinto,

Ao bom sonho desejado,

E, que me matem, se minto:

O que será preservado,

Vence o que está sendo extinto.

Na batalha…

Garoeiro – Natal, RN, 26 de novembro de 2015.

Minha  Física,  tão  falha,

Tão de unidade, carente,

Não troco com quem trabalha

Só metafisicamente.


O Pensamento agasalha

O Mundo, aparentemente,

Gerando tudo o que valha

A que a Vida siga em frente.


Nunca,  isso,  me atrapalha,

Nem considero, oponente,

Mas, jamais fujo à batalha

Que é pensar fisicamente…

Olhares

Garoeiro – Natal, RN, 24 de novembro de 2015.

As nuvens, mesmo as mais branquinhas,

Escuras sombras são, vistas no mar,

E só a quem merece o dom de olhar,

Que a ambas vê, enxerga as entrelinhas.


Pois, mostra, tudo, exibições fininhas,

Escaneamento de demonstrar,

Que a nossa pressa de observar

É mãe das observações ceguinhas.


Engano, só, se vê, sem pensamento,

Longo prazo, requer discernimento,

Prazo de perceber imagens francas.


Gosto de ver, e tempo necessário,

É só o que há no olhar do visionário,

Vendo o que não se vê nas nuvens brancas.

Assédio

Garoeiro – Natal, RN, 23 de novembro de 2015.

Por minh’alma perambula,

À procura de meu centro,

O Tempo, cheio de gula,

Escondendo o Nada, dentro,

Cuja boca, me bajula,

E  eu  escuto,  mas,  não  entro…

Estranha condição

Garoeiro – Natal, RN, 22 de novembro de 2015.

És tu,  de tudo,  a vida que me resta,

Pois, em meu peito nada sobrevive:

Da vida, só o que ao te amar, mantive,

Vem o que vivo, de lembrar,  não  desta.


E só em lembrar-te, o coração se presta,

Sem ter mais,  só com tudo teu,  convive,

Conquanto do que tenha,  assim me prive,

Ao desalento, sem nenhuma festa.


Se te confesso a condição estranha,

Um perdedor que, em sonho, inda te ganha,

Mesmo, nesta separação perfeita,


Não há mais como te encontrar, bem sei,

Mas, de tão fértil o tempo que te amei,

É em nosso amor que o meu viver se ajeita…

Sabiá

Garoeiro – Natal, RN, 21 de novembro de 2015.

Meu diário sabiá,

Nesta hora entardecente,

Entoa esse lá-lá-lá,

Que, por cantar tristemente,

Faz doer meu peito, já

Surdo, tão doídamente,

Que, apesar de ainda mais má,

Rogo à noite, iminente,

Que escureça, logo, cá,

Pois, menos que dor plangente,

Dói silêncio, ao deus-dará…