Categoria: Poesia

Frequência & Período

Sonho de Amor

[... frequência, é o inverso do período...]

Garoeiro – Natal, RN, 3 de março de 2016.

Na poética ciência,

Combinam-se, inocentes,

O Período e a Frequência:

Do Grande Amor e afluentes,

Ao tempo ou à afluência,

Parecem indiferentes.


Porém, desta incoerência,

Com todas elas já ausentes,

Alcança-se a consciência:

Os meus amores contentes,

E a Grande Amada, em essência,

São mutuamente excludentes…

Ubenhiumal

Garoeiro – Natal, RN, 2 de março de 2016.

Folhas secas

Ao pobre Deus da Unidade,

Era una a vontade humana:

Na individida vontade,

Reinava a Paz, soberana.


Pervertendo a saciedade,

Com poder que desirmana,

Quebrou a integralidade

A Cobiçosa Cigana.


Contra uma e outra metade,

Falso Bem ou Mal, que engana,

O velho Deus da Verdade,

Chora esta guerra tirana.


Mas, tanta contrariedade,

Esta concorrência, insana,

É divisibilidade

Duma ilusória membrana.


Por isso, dou validade

À lenda moçambicana:

O Deus Ubenhiumal há-de

Ter a essência veterana…

Primeiro de Março

Garoeiro – Natal, RN, 1º de março de 2016.

Um piano apaixonado

Fevereiro, vinte e nove,

Bissexto nó, temporal,

Finar, seria o que aprove,

Hoje, um dia especial.


Março vir a ter início

Num Fevereiro incomum,

Nem gosto, nem benefício,

De fato, haveria algum.


Conquanto, é no ano inteiro,

Que soma o bissexto plano:

Vale, o a mais, de fevereiro,

No dia final do ano…

Ex-amores…

Garoeiro – Natal, RN, 29 de fevereiro de 2016.

Amei,  vê,  cinquenta  e  cinco,

E, com cinco, fui casado:

Fora a glória desse afinco,

Eis-me, só, tudo acabado.


Se a novo amor fecho o trinco,

Tudo de bom, no passado,

Sinceramente, não brinco,

Foi com a amada do lado…

No Tempo cru…

Garoeiro – Natal, RN, 28 de fevereiro de 2016.

Toda a alma, por amor,

Numa entrega gloriosa,

A amar, unicamente,

O romântico louvor,

Com sua ilusão gostosa,

Encabresta a nossa mente.


E, crendo que tal fervor,

Sua delícia enganosa,

Valem, verdadeiramente,

A esse furtivo esplendor,

Nossa vida, em verso e prosa,

Cedemos, completamente.


Mas, se só o bem cuida expor,

Da existência ruinosa,

A nós, poeticamente,

Nunca o Tempo faz supor,

Por sua clareza idosa,

Nenhum amor excelente…

Conselho de amigos…

Garoeiro – Natal, RN, 27 de fevereiro de 2016.

Prevaleça, hoje, a vontade,

Manifesta em qualquer lado

De minha comunidade,

De ver, logo, reparado,

Por mais nova afinidade,

O Grande Amor, acabado,

Em prol de estabilidade,

Tenho, porém, discordado.


Impossível, à novidade

Conseguir ver evitado

O amor perdido, que invade

O presente de passado,

Enquanto, só, na saudade,

Revivendo o que é lembrado,

Tem gosto de eternidade,

A vida de separado!

Amor de mercado

Garoeiro – Natal, RN, 26 de fevereiro de 2016.

Mais amo, dessa entrega a uma querência,

Devoção de ficar com quem estimo,

Que duma inútil aspiração de arrimo,

Por salvar, onde vivo, a aparência.


De amar, pois, só por mútua dependência,

Estando, agora, só, não me lastimo,

Nem, sem um falso amor, não me deprimo,

Que preferi, sempre, de amar, a essência.


Traindo, até, a natureza humana,

Essa versão de amor acha que engana,

A obrigar, o casal, essencialmente.


E, em tanto rompimento, todo dia,

Sinto que o fim do amor-mercadoria,

Liberta amor no coração da gente.

Youtube!

Garoeiro – Natal, RN, 25 de fevereiro de 2016.

[ Para: Lu Nóbrega, confiante em seu trabalho, na beleza de sua voz... ]

Ao Mecenas, rejubila,

Prover, no anonimato,

Certa Beleza, tranquila,

Na criação, com recato.


O Mundo, porém, nos mutila,

Investindo no maltrato

Do ódio, que Amor aniquila,

Odioso mecenato.


Pois, sua fé é pupila

De mais lucro, imediato:

Resta ao Artista da vila,

Só sobreviver barato…

A rima

Garoeiro – Natal, RN, 24 de fevereiro de 2016.

Se, da moda o Belo, exposto,

Por tal resto seu, rejeito,

No que me resta de estima,

Nem cuidar errado, o gosto,

Ou, contra si, preconceito,

É o desejo que me anima.


No histórico entreposto,

Sempre a um moderno conceito,

Cumpre um mais velho, por cima;

Do cumprimento disposto,

A ilusão do eleito,

Ou é irmã, ou, é prima.


A preferência do oposto

Não condena o que está feito,

Discorda, apenas, do clima:

É meu verso assim composto,

Por sentir pungir no peito

A palpitação da rima.

Estilo da moda

Garoeiro – Natal, RN, 23 de fevereiro de 2016.

Cenário virtualizado,

Personagens sem grandeza.

Enredo elucubrado

Para o orçamento, na mesa.

Com todo o mundo tratado,

Seja, a fim da safadeza,

Seja, criminalizado.

Em violenta aspereza,

Vai sendo o mal, seriado,

E, a virtude, sem defesa,

Sufoca, com tudo errado.

No domínio da incerteza,

Resta ao ódio, bem armado,

Pela mais cruel torpeza,

Moldar o herói engendrado,

Com coragem e nobreza.

A quem serve ao Deus-Mercado,

Vã é a verve da Beleza:

Há só heroísmo ousado,

No Universo da fraqueza.

Essencialmente, o enlatado,

Mostra a Humanidade presa

Ao caos, desumanizado,

Onde existe só, proeza:

- Vinde, ó Horror, de todo lado,

Valha-nos, a vossa empresa!