Categoria: Poesia

Indo a passeio…

Garoeiro – Natal, RN, 4 de setembro de 2014.

Observar é o critério

Que o ver verdadeiro esposa:

Quanto maior o mistério,

É a mirada mais zelosa.


Olhando este cemitério,

Sua flora tão viçosa,

Vejo no fim deletério

Energia poderosa.


Existe vivo minério

Além do que a Morte glosa;

Talvez, ao mortal império,

Caiba só a parte vistosa…

Eu jamais me condoo do inimigo…

Garoeiro – Natal, RN, 3 de setembro de 2014.

Fôra a rainha mais fina

Dessa reação chinfrim…

- Amigo, outra voz se fina:

Isolina Bresolin.

Mereça toda a purpurina

De seu apanágio afim.

Aos puxa-sacos destina,

Vanglórias nosso pasquim…

Eis, encerrada, enfim,

Sub letra peregrina,

Sempre contrária a mim.

Foi uma pena ferina

Toda a favor do dindim.

Conhecia patavina

Do ideológico pudim.

Ágil, com sua cortina,

Encobria o malsim.

Nossa luta, na surdina,

Ruía, tim-tim por tim-tim,

Disfarçada em quem opina…

- É, amigo, a vida assim:

O mal, quem por bem assina,

Mostra Abel, sendo Caim,

Tal rejeitando Isolina,

Rejubila-me seu fim,

Inda que louve a cretina

Com louvas de querubim,

Certa elite asinina

Da cidade donde eu vim.

Rubro, sigo minha sina,

A rir de quem morre ruim…

Depois da aula…

Garoeiro – Natal, 2 de setembro de 2014.

[Para: Ayres, no seu aniversário...]

Amar o conhecimento,

Razão,  na  força  motriz,

Levou-me ao ensinamento:

Com giz, foi tudo o que fiz…


Mas, no justo julgamento,

Fui,  ensinando,  infeliz,

Porque tudo é movimento

Mudando o que o mestre diz…


O tempo só quer vencimento

Breve, ao que o mundo já quis,

Em seu desconhecimento:

Sábio,  é  ser  aprendiz…

Meu Setembro

Garoeiro – 1º de setembro de 2014.

Hora, dia, mês, semana,

É tudo picaretagem:

O Universo não se engana,

Nem vê a nossa contagem…


Lá,  na  ordem  soberana,

Eternamente,  paisagem,

A idéia de tempo dana

Dentro de mundos sem margem…


Inda  assim,  acho  bacana,

Sem levar qualquer vantagem,

Desejar o bem que emana

Com setembro de passagem…

Contos de amor…

Garoeiro – Natal, RN, 11 de julho de 2014.

Poderosa é a ilusão da fantasia,

Que amor sem um castelo é mesquinho,

Que sem fortuna pouco se amaria,

Como nos marca o clássico caminho…


De outro lado, talvez à maioria,

Felicidade, no amoroso ninho,

É o amor cultivado de poesia,

Os dois apaixonados, num ranchinho…


Se amor, ao mundo, é força inoperante,

Amar, porém, no palácio, no casebre,

Independentemente do amante,


Ou de que bodas o casal celebre,

Enquanto a ambição for dominante,

Levar, só há de ser, gato por lebre!

Chorinho

Garoeiro – Natal, RN, 17 de julho de 2014.

Eu queria muito agora,

Que nada se interrompesse:

Mas por que tem de ir embora

De nós, amor como esse?


Amor igual a uma aurora,

Que de dentro renascesse,

E todo o mundo aqui fora,

Contente, enquanto amanhece…


O que é eterno não tem hora,

Interrompe e permanece:

Sem ti, inda mais te adora

Meu amor que não esquece…


Menina, mulher, senhora,

Quis meu peito que a perdesse…

O mesmo peito onde mora

O mesmo amor que me aquece…

Culminante

Garoeiro – Natal, RN, 20 de julho de 2014.

Meu sonho vive a certeza:

Muralhas viram monturos.


Ruem-se os rés da nobreza,

Por mais torpes, por mais duros.


Mas o Reino da Beleza,

Já não cantam meus futuros,


Porque só a vontade acesa,

Pode derrubar os muros…

Leitura

Garoeiro – Natal, RN, 22 de julho de 2014.

[Para: Paulinho da Viola]

Por um lado renascendo,

Realização tardia,

Só me vejo esclarecendo

A ausência do que queria,

O não, mas, bem que podia,

E em só festa alheia vendo

Valer-me pouca alegria,

Mas de nada me arrependo.


Arrependimento iria

Fraudar o que vim sofrendo,

E vencendo, dia a dia…

Neste pouco que estou tendo,

E de sonho engrandecendo,

Se não há mais euforia,

Tampouco estou padecendo

Ante o que o tempo esvazia.


Nada eu tive merecendo,

E a quem trai é a regalia,

Que o traído está sofrendo.

Se unicamente aprecia

Nosso mundo a hipocrisia,

Por dinheiro, a promovendo,

Não se negue à Poesia

A amargura que está lendo…

A caminho da praia…

Garoeiro – Natal, RN, 24 de julho de 2014.

Hoje,  eu  busco o meu prazer em algum

Gozo de lembrança em substrato,

Modesto, mas melhor do que nenhum,

E, gozando o já gozado, sou grato.

Sentados, porém, num porre incomum,

Gozando  do  futuro imediato,

Passo esta mesma turma bebum,

Sobrevivendo em seu sonho gaiato,

Suas garrafas de cinquenta e um,

Neste prazer  simples,  pobre  e  barato…

Não verei mas virá…

Garoeiro – Natal, RN, 30 de maio de 2014.

Ver tudo o que sonho ir para o arquivo,

Impossível desalento mais duro;

No bem do amor ao próximo, nocivo,

Jaz o planeta no jugo do juro.


Sinto, porém, que o nosso sonho está vivo,

Sem ver minha luz, neste mundo escuro;

Pois  sei  que  o  Cristianismo  primitivo

Há de trazer  o  Comunismo  puro!