Por Dilma!

Garoeiro – Natal, RN, 28 de agosto de 2016.

Mal estimando a correlação

Das forças em conflito no momento,

Sonhaste a inversão do ordenamento,

À renda impondo distribuição.


Depois de governar tal ilusão

Conciliando no covil sangrento,

Já vês o criminoso julgamento

A desfazer toda a programação.


Traída e condenada na inocência,

Resistes ao golpismo da vigência,

Cumprindo o rito com serenidade.


Da negação que a traição socorre,

Hás de viver por toda a eternidade,

Porque na História o sonho bom não morre!

CLT

Garoeiro – Natal, RN, 26 de agosto de 2016.

Trabalhar o Grande Amor,

Que trabalho nega, mata,

Consome enorme vigor

Da vigência imediata.


Sempre bom, alegre, lindo,

Eu fazia o nosso mundo,

A energia, consumindo,

Inteira, a cada segundo.


Reinventava, todo dia,

Milagre que permitisse

Visse sempre alegria,

Ritualeira rotinice…

As fontes

Garoeiro – Natal, RN, 25 de agosto de 2016.

O que mais gosto e mais faço

É lembrar meu gozo imenso,

Preenchendo todo o espaço,

Deixando o tempo em suspenso.


Mas, toda a satisfação,

Em sonho, recuperada,

Atesta combinação

Com raiz antepassada.


São prazeres com encostos

Junto às fontes que os me deram,

Pois, sei, meus melhores gostos,

Dos bons, de meu pai, vieram…

Essencialismo

Garoeiro – Natal, RN, 24 de agosto de 2016.

Num inverso de exorcismo,

Aquele trágico trauma,

Volveu teu essencialismo,

Para sempre, em minha alma.


Nada mais posso lembrar,

Nem ninguém ter na lembrança,

Que em gosto de recordar,

Predomina a tua herança.


Eu preciso botar fim,

Acabar com tudo isso!

Porém, tu, dentro de mim,

Faltas, jamais, ao serviço…

Trena

Garoeiro – Natal, RN, 23 de agosto de 2016.

A tua graça serena,

Só se dá por bem medida,

No metro de minha trena.


Pois, por recato, receio,

Orbita, ela, escondida,

Teu mais recôndito anseio…

Lembrei-te na brisa…

Garoeiro – Natal, RN, 22 de agosto de 2016.

Na bela manhã chuvosa,

Sem um amor que me queira,

Uma saudade gostosa

Se insinua, sorrateira,

Pela brisa, langorosa…


Bem nítida, primorosa,

Regalo de vida inteira,

Esta lembrança ansiosa

Da tua dança faceira,

Sob minha mão sestrosa…


A flor do amor é uma rosa,

E a paixão, uma roseira,

Porém, de pudor, viçosa:

Mais sendo a mão jardineira,

Mais prazer a amada goza…

… no ponto!

Garoeiro – Natal, RN, 21 de agosto de 2016.

Sonha o jovem, que se deita,

Ante a imensidão futura,

O milagre da colheita,

Longe de semeadura.


Bem cedo, a pintura eleita,

É borrada, na moldura,

Pois, tudo o mundo rejeita,

Sem as cores da amargura.


Sonho que não se aproveita,

Desbotado de impostura,

Vira o amém, que se sujeita

Ao que impõe a conjuntura.


Mas, caprichada, bem-feita,

Somente vida madura,

Que é lei da boa receita,

O ponto achar, que se apura…

Teus dons entusiasmados…

Garoeiro – Natal, RN, 20 de agosto de 2016.

Aos que amam, amar é o desafio,

Pois, disfarce, mentira, traição,

A pretexto de apreço arredio,

Concorrem na diária tentação.


Viver de falso amor, o desvario,

Além de habilidosa encenação,

Requer que todos vejam como esguio,

O amor fantasiado de afeição.


Se não lamento eu me perder te amando,

Nem venho tua perda compensando,

Viraste esse estupor, que não governo,


Em pondo, com teus dons entusiasmados,

Ao tempo que me jurou fôra eterno,

O Grande Amor, com seus dias contados…

Amor estrutural

Garoeiro – Natal, RN, 19 de agosto de 2016.

Quando lembrando o Grande Amor me assalta

Ver a perda de tudo o que gostamos,

Não resisto ao convite que bebamos,

Nem canta a boca, nem louvor exalta.


Todo o afeto perdido que me falta,

Que, no mais puro amor, elaboramos,

Está salvo, na paz daqueles anos,

Mas, não merece uma ambição mais alta.


A explicação que não me desespero,

Nova paixão, longe de ti, espero,

Quer outra, de sinais essenciais:


Companheira de amor estrutural,

Que beber me deixasse, até demais,

A bem, menos bebendo, do casal…

Retrospectiva sincera

Garoeiro – Natal, RN, 18 de agosto de 2016.

Boa moça, de família,

Estudante, a encontrei;

No fracasso da vigília,

Muito cedo, me casei.


Fazendo financiamento,

Que meio salário, arrasa,

Seguindo o ordenamento,

Compramos a nossa casa.


Mas, eu, hoje, estou contente,

Sob aplausos do vizinho,

Por ter vindo, finalmente,

O nosso carro, zerinho!


Estamos bem, todavia,

Algo, no fundo, me diz,

E o coração anuncia:

Falta, agora, ser feliz…